terça-feira, 9 de abril de 2013

"O Pequeno Príncipe", de Saint-Exupéry, completa 70 anos

Obra, uma das mais populares do mundo, foi lançada inicialmente nos Estados Unidos

Capa do livroFoto: Reprodução
Um livro de encontros. É assim que a professora de literatura Verónica Galíndez Jorge, da Universidade de São Paulo (USP), define o livro O Pequeno Príncipe, do francês Antoine de Saint-Exupéry. Com temática existencialista, a obra segue uma das mais populares do mundo, mesmo 70 anos após seu lançamento - no Brasil, ela chegou somente em 1945, pela Agir, mas a estreia mundial ocorreu dois anos antes, em 6 de abril de 1943, nos Estados Unidos.

"Exupéry traz o reencontro do adulto com olhar perdido de criança e também o encontro da criança com questões da vida adulta", analisa Verónica. A temática a um só tempo densa e acessível, que encontra identificação em diferentes faixas etárias, é um dos pontos indicados pela professora para explicar o sucesso persistente da obra. "Também não podemos deixar de lado o fenômeno editorial dos anos 1980, quando o livro chegou a ser lido como autoajuda", acrescenta.

Definida pelo filósofo alemão Martin Heidegger como uma das maiores obras existencialistas do século 20, O Pequeno Príncipe é um dos livros mais traduzidos do mundo, mas não há consenso sobre o número exato: no site oficial da obra, Le Petit Prince, fala-se em 257 idiomas e dialetos, e há edições no Camboja e no Japão, por exemplo. No país nipônico, o sucesso foi tanto que há um museu dedicado ao Pequeno Príncipe na cidade de Hakone.

Desde a publicação, a trama já foi contada em diversas plataformas, como na série de desenho animado As Aventuras do Pequeno Príncipe, lançada no final da década de 1970. Mais recentemente, o livro inspirou uma animação computadorizada homônima, exibida no Brasil pelo canal de TV por assinatura Discovery Kids, e uma série em quadrinhos publicada pela Editora Amarilys.

O autor

Exupéry, assim como um dos personagens do livro, também foi piloto. No final da década de 1920, o francês, que ficou conhecido como "o poeta da aviação", foi designado para trabalhar em Buenos Aires e chegou a pousar algumas vezes no Brasil. Um dos pontos de abastecimento estabelecidos pela empresa francesa de correio aéreo Latécoère, onde ele trabalhava, localizava-se na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina. Ali, ele ficou conhecido entre os habitantes como "Zeperri", e passou a fazer parte da história da cidade - hoje, a capital catarinense conta com uma avenida nomeada em homenagem à principal obra do autor, Pequeno Príncipe, na praia do Campeche.

Além da América do Sul, Exupéry participou de missões em diversas localidades, da América do Norte à Europa. Ele foi visto pela última vez em 1944, quando decolou de uma base aérea no Mar Mediterrâneo e não retornou. Um bracelete com seu nome foi resgatado do Mar de Marselha, na década de 1990, e conduziu aos destroços do avião pilotado pelo francês. As circunstâncias da sua morte, contudo, não foram esclarecidas.

Na sala de aula

O Colégio Mater Amabilis, em Guarulhos (SP), ainda hoje adota a leitura de O Pequeno Príncipe. O livro foi trabalhado na escola entre 2007 e 2010, e voltou à sala de aula em 2013. A obra, que conta a história de um piloto que se perde no deserto e encontra um "pedacinho de gente" vindo do asteroide B612, é apresentada aos alunos do 7º ano do ensino fundamental, que têm, em média, 12 anos.

De acordo com a instituição, o livro é escolhido por abordar aspectos da relação humana e do próprio ser humano, o que faz com que os alunos pensem nas suas atitudes através das metáforas. Além disso, o colégio aproveita para fazer uma relação com o nome de sua escola de educação infantil, Pequeno Príncipe, que mantém esse nome desde sua fundação, há 44 anos.

Para André Valente, professor de literatura do Cursinho da Poli, O Pequeno Príncipe não deve aparecer em grandes vestibulares como os da Fuvest, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) ou da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pois as instituições tendem a trabalhar mais sua própria lista de livros. "No Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) é mais provável, mas também é difícil. Se cair, é possível que a questão esteja mais voltada à filosofia do que para a literatura", explica, ao mencionar que o exame costuma trabalhar com questões humanísticas.

Citações
Algumas das célebres frases proferidas pelos personagens de O Pequeno Príncipe - muito difundidas por misses e aplicativos nas redes sociais - também ajudam a manter a obra viva. Confira, abaixo, algumas citações da obra:


Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

Os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração.

O essencial é invisível aos olhos.

Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.


Enquadrado pelo site PublishNews na categoria infanto-juvenil (categorização questionada por alguns críticos literários), foi o segundo livro mais vendido em fevereiro de 2013 e o quinto no segmento em todo o ano de 2012, segundo o ranking. Desde 2002, quando a editora Agir foi incorporada pela Ediouro, o livro vende uma média de 300 mil exemplares por ano, e está na 48ª edição no País.

fonte noticias,terra



segunda-feira, 8 de abril de 2013



Kubno e Velva
Autor: José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
Editora: Objetiva
Categoria: Infanto-juvenil
ISBN: 9788579621888
Número de pp.: 120
Preço: R$ 32,90

A tenente Velva e o cabo Kubno são dois extraterrestres que chegam à Terra com a missão de investigar se seus habitantes têm cumprido os preceitos básicos de preservação do meio ambiente. A punição, em caso de reprovação por parte das autoridades intergalácticas, é a destruição do planeta. Para iniciar a jornada, Kubno aciona o sistema aleatório de escolhas para que sua nave os leve à Terra: eles aterrissam justamente na cinzenta São Paulo, onde se deparam com uma poluição assustadora. A partir da chegada, vão passando por diversas cidades, testemunhando casos graves de enchentes, despejo irregular de lixo e maus-tratos ao meio ambiente e aos animais. Essa é a trama de Kubno e Velva(Alfaguara, 120 pp., R$ 32,90), escrito por José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta, que trazem informações para a sobrevivência humana na Terra.


sábado, 6 de abril de 2013

Nova lei obriga os pais a matricular criança de 4 anos na pré-escola

Lei contempla a educação infantil (Foto:
Reprodução/TV Liberal)



Texto anterior dizia que matrícula era obrigatória a partir dos 6 anos. 
Estados e municípios têm até 2016 para garantir oferta de vagas.

O governo federal publicou nesta sexta-feira (5), no “Diário Oficial da União”, a lei número 12.796 que altera a lei que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Como novidade, o texto muda o artigo 6º tornando "dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos 4 anos de idade". A matrícula dessas crianças pequenas deve ser feita na pré-escola. Estados e municípios têm até 2016 para garantir a oferta a todas as crianças a partir dessa idade.

Segundo o Ministério da Educação, a lei publicada nesta sexta-feira é uma “atualização” da Lei de Diretrizes e Bases, de 1996, reunindo as emendas realizadas desde então.

A versão anterior dizia que esta obrigatoriedade 
era a partir dos 6 anos. Mas, em 2009, uma emenda constitucional tornou obrigatório ao governo oferecer educação básica e gratuita dos 4 aos 17 anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria.

Foi preciso então "incorporar" na lei o dever dos pais de matricular os filhos de 4 e 5 anos.

A nova lei "abraça" a educação infantil e estabelece as suas regras. Segundo o documento, a educação básica será dividida entre pré-escola, ensino fundamental e ensino médio. O currículo da educação infantil deverá ter uma base nacional comum que respeita as diversidades culturais de cada região. Isto já valia para o ensino fundamental e o ensino médio.

Acompanhamento, frequência e registro
O professor deverá fazer um registro do acompanhamento do desenvolvimento de cada criança. As crianças de 4 e 5 anos terão "avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental". Além disso, na pré-escola as crianças devem ter carga horária mínima anual de 800 horas, distribuída por um mínimo de 200 dias de trabalho educacional.

O atendimento à criança deve ser de, no mínimo, 4 horas diárias para o turno parcial e de 7 horas para a jornada integral. E a pré-escola deve fazer um controle de frequência destas crianças, exigida a frequência mínima de 60% do total de horas.

Outra novidade no texto foi a inclusão de "consideração com a diversidade étnico-racial" entre as bases nas quais o ensino será baseado.

Educação especial
A alteração na lei torna mais específica ainda a educação para crianças e jovens com deficiência ou os chamados "superdotados". O texto anterior falava em "educandos com necessidades especiais". Agora, a redação diz "atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino".

Em outro artigo, fica garantido que "o poder público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em educação especial."

Segundo o Ministério da Educação, entre 2005 e 2011, abriu 37.800 dessas salas, usadas para atividades individualizadas com os alunos especiais em horários além dos que eles passam na sala de aula comum, abrangendo 90% dos municípios do país. A pasta diz que espera contemplar 42 mil escolas com esse recurso até 2014.

fonte: g1.com.br

terça-feira, 2 de abril de 2013

CONSUMISMO INFANTIL NA CONTRAMÃO DA SUSTENTABILIDADE

Instituto Alana e Ministério do Meio Ambiente lançam cartilha sobre relação entre consumismo infantil e sustentabilidade com dicas e sugestões para pais e educadores.

Um evento em Brasília marcou o lançamento do caderno “Consumismo infantil: na contramão da sustentabilidade”, uma parceria do Instituto Alana com o Ministério do Meio Ambiente (MMA). O objetivo da publicação é ajudar os pais e educadores a trabalharem com as crianças a diferença entre o “querer” e o “precisar”, além de abordar temas como sustentabilidade, descarte e consumo.

Medidas como o consumo de lanches feitos em casa, mais saudáveis e que geram menos lixo e descarte de embalagens, são incentivadas. O material também traz alguns dados preocupantes sobre a influência da publicidade no consumismo infantil. Dados do Ibope mostram que, hoje, as crianças passam mais de cinco horas por dia na frente da televisão. E que 64% de todos os anúncios veiculados nas emissoras de TV, monitoradas às vésperas do Dia das Crianças de 2011, foram direcionados ao público infantil (Alana/UFES).

O livreto é o terceiro volume da série Cadernos de Consumo Sustentável, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente. Durante 2013, o Ministério da Educação deverá distribuir 70 mil exemplares da obra; o Ministério do Meio Ambiente, 10 mil e a Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP), mais 15 mil em todo o território brasileiro.

Que tal aproveitar as dicas da cartilha e começar a ensinar a seus filhos alternativas ao consumo sem reflexão? O documento está disponível para download.

O evento de lançamento do caderno em Brasília contou com as presenças de Gabriela Vuolo, Coordenadora de Mobilização do Alana; Samyra Crespo, Secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente; Angélica Goulart, Secretária Nacional da Criança e Adolescente da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; e Juliana Pereira, Secretária Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça.

fonte: http://defesa.alana.org.br

segunda-feira, 1 de abril de 2013


Entrevista: games como recursos para a aprendizagem

Uma das páginas do Livro e Game, com o jogo Memórias de um Sargento de Milícias
Celso Santiago é uma das cabeças do projeto “Livro e Game”, que transforma obras clássicas da literatura brasileira em jogos eletrônicos. Ele trabalha com o potencial educativo dos games desde os anos 1990, quando acompanhou a implantação de um projeto na área nas escolas da rede municipal de Londrina, no Paraná. E aposta nesta ferramenta como um recurso de apoio ao aprendizado. Nesta entrevista, fala sobre o potencial dessa ferramenta e as maneiras mais indicadas de introduzi-la em classe, entre outros temas.

1. Qual o potencial dos games para o aprendizado?

Jogos desse tipo funcionam como um apoio à ação educativa. Com base neles, é possível introduzir vários temas vinculados aos conteúdos escolares. Graças à pensadores como Lev Vygotsky (1896-1934) Paulo Freire (1921-1997), sabemos que a cultura é um componente imprescindível ao processo de aprendizagem. Isso explica o potencial dos games.

2. Quais as vantagens das adaptações do projeto “Livro e Game”?

Ele une entretenimento e cultura. Seu ambiente oferece ao internauta a atmosfera própria de cada obra adaptada, criada com base nas nossas leituras dessas obras e da pesquisa de referências que fizemos para criar toda a ambiência que as narrativas pediam. Os jogos são divertidos e apresentam informações e curiosidades que entretém o internauta. Ao mesmo tempo, estimulam o jogador a descobrir mais, a partir para a leitura das obras clássicas que os originaram.

3. Como o professor deve fazer a mediação dos jogos do projeto?

Essa mediação deve considerar vários aspectos. O primeiro é o aluno e o seu entorno. Devemos levar em conta o que os jovens já sabem e os saberes presentes na comunidade onde vivem. Assim, fica possível estabelecer relações entre as situações vividas por eles e as apresentadas na narrativa da obra literária. Outro ponto é estimular a curiosidade do grupo, levá-lo investigar sobre o tema e compartilhar as descobertas.

4. Há previsão de lançar outros jogos este ano?

Sim. Temos os projetos de dois jogos prontos: Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto (1881-1922) e Noites da Taverna, de Álvares de Azevedo (1831-1852). Esperamos que até o fim do ano eles estejam disponíveis na internet.


fonte: revisaescola

domingo, 31 de março de 2013

Como formar leitores com ajuda de Narizinho e a turma do Sítio


Usando a obra de Monteiro Lobato como ponto de partida, professora de Limeira, no interior de São Paulo, conseguiu semear o prazer e o interesse pela leitura entre os alunos

Quando se tem nove anos o mundo soa um pouco diferente do que realmente parece ser para os adultos. Nesse mundo onde tudo ainda é descoberta e sonho, uma boneca de pano falante ou um sabugo de milho letrado são personagens que estimulam a imaginação e abrem caminho para o gosto pela leitura.

Ao vislumbrar essa possibilidade, a professora Neuseli de Queiroz Venâncio, da EMEIEF José Roberto Braz, em Limeira, a 154 km de São Paulo, resolveu resgatar os contos de Monteiro Lobato - esquecidos até por ela - e levá-los para as mãos dos alunos da quarta série do Ensino Fundamental.

Por meio de um projeto didático, a professora levou aos alunos os grandes clássicos infantis do autor. "Além de trabalhar a leitura, queria inseri-los no universo da literatura, que passa também pela escrita e pela opinião sobre as obras", diz. Durante quatro meses, a rotina de estudos do período matutino começou com uma história de Lobato, lida em voz alta pela professora. Daí o nome do projeto: "Bom dia, Monteiro Lobato!".

Neuseli conta que começou trabalhando Histórias da Tia Nastácia, que encantou os pequenos. Lendo um conto por dia, percebeu que os alunos gostavam cada vez mais e aprofundou as leituras com Reinações de Narizinho. "Esse livro consegue levar as crianças para um mundo de fantasia e é especial para mim, pois também li na minha infância."

Círculos de leitura quinzenais

Além das leituras feitas em sala, Neuseli propôs que os alunos levassem livros do autor para ler em casa. Em uma reunião com os pais, apresentou o projeto e explicou a importância da participação deles nessa atividade. Os livros mais solicitados pelos alunos foram Reinações de Narizinho, Caçadas de Pedrinho (principalmente, pelos meninos), O Saci, A Reforma da Natureza, Histórias Diversas, A Chave do Tamanho e Memórias da Emília. A proposta fez tanto sucesso entre os alunos que foi necessário fazer empréstimos do acervo da biblioteca municipal de Limeira para que houvesse livros para todos.

A cada 15 dias, aconteciam os círculos de leitura nos quais os alunos falavam sobre a obra que estavam lendo. "Cada aluno dava sua opinião, recomendava ou não o livro para algum colega e dizia se havia aprendido alguma coisa nova. Nada foi forçado. Muitos não conseguiram relatar nada no primeiro círculo, mas no terceiro ou quarto já estavam participando com naturalidade", relata Neuseli.

Gravação de uma fita com contos de Lobato

Melhorar a fluência da leitura dos alunos era outro objetivo do projeto. Para isso, convidou os alunos a produzir uma fita-cassete na qual eles gravariam a leitura de algumas histórias de Reinações de Narizinho, escolhidas por eles mesmos. Como a fita seria doada para uma instituição que atende pessoas com deficiência visual, a turma realmente se empenhou para que o produto final tivesse qualidade. "Foram dias de ensaios, erros e acertos. Eles ficavam exaustos, mas não queriam parar até ficarem satisfeito com a própria leitura", lembra a professora.

Reescrita de histórias acrescentando personagens

Depois de familiarizados com várias obras e com parte do percurso do escritor, os alunos foram desafiados a reescrever algumas histórias lobatianas, inserindo novos personagens nas histórias. Os textos foram sucessivamente revisados e editados para compor o livro "Baú de Contos", com direito a manhã de autógrafos no lançamento.

"Um dos maiores ganhos com o projeto foi também a capacidade de se expressar, contar o que achou da leitura, opinar. Monteiro Lobato foi o primeiro escritor brasileiro a deixar as crianças se expressarem. Emília só passa fazer parte da história quando começa a falar. Isso é pioneiro também na pedagogia. A criança tem vez para Lobato", comenta a professora.

O projeto teve uma única edição, mas os leitores formados lá continuam fãs de Monteiro Lobato. "Bastante tempo depois, quando já não trabalhava mais com a turma, me encontravam e perguntavam se tinha algo de novo do Monteiro Lobato. Foi um projeto muito gratificante", diz.

fonte: revistaescola.com.br

sexta-feira, 29 de março de 2013

Responsabilidade na educação das crianças deve ser compartilhada, quando celulares e marcas de roupas interferem na socialização das crianças e também no processo de aprendizagem, a escola deve intervir com combinados e regras.

Por Lais Fontenelle

Há cerca de um mês, li um artigo na Folha de São Paulo, da psicóloga Rosely Sayão, que tratava, em linhas gerais, sobre os limites da escola particular na interferência das decisões da família. Muitos pontos importantes foram abordados e me fizeram pensar, mas o principal deles dizia respeito ao limite de nossa liberdade pessoal dentro de instituições como a escola, por exemplo. Pode a escola particular determinar o tipo de lanche que as crianças trazem de casa? Pode proibir o uso de celular nos recreios, ou também o uso de determinada marca de roupa – como soube que aconteceu dentro de uma escola de elite no início desse ano em São Paulo? Ao contrário da Rosely, eu acredito que sim. Na minha opinião, a responsabilidade na educação das crianças deve ser compartilhada e quando celulares e marcas de roupas interferem na socialização das crianças e também no processo de aprendizagem, que se dá dentro do espaço escolar, a escola não só pode como deve intervir com combinados e regras.

Sabemos que educar nunca foi tarefa fácil e esse desafio sempre foi muito bem equacionado entre família e escola, mas hoje escutamos cada vez mais a seguinte frase: “Estamos terceirizando a responsabilidade de educar as crianças”. Em alguns momentos são os pais que dizem isso, culpando a escola por se omitir em questões importantes, e muitas vezes é a escola que reclama que os pais não têm feito seu dever de casa no quesito educação e acabam jogando a responsabilidade no ombro das escolas. E algumas vezes ambos chegam a recorrer ao Estado para resolver questões mais complexas, como no caso do famoso bullying. Mas quem está com a razão? Estão os papéis definidos? O que cabe às escolas e famílias? Quando se trata de escolas particulares, essas perguntas me parecem muito mais fáceis de serem respondidas. No momento em que os pais saem para a árdua tarefa de escolher a escola de seus filhos, geralmente tomam essa decisão pensando que a escola será o segundo “espaço” – depois da família – para a socialização de suas crianças. Isso significa que deveriam funcionar como uma comunidade, com unidade nas decisões, concordando e acordando conjuntamente, muitas vezes, sobre os valores e hábitos a serem transmitidos. Mas, pelo visto, não é isso que tem acontecido na maioria das vezes.

Então… Quem deveria decidir sobre o lanche que se leva de casa, como abordado no artigo de Rosely Sayão? Na minha opinião, o ideal seria uma decisão conjunta, porque mesmo que a instituição seja particular (e aí podemos tê-la como um bem de consumo na educação de nossas crianças – como tem acontecido, muitas vezes), ela tem premissas e valores em que acredita e esse foi um dos motivos de nossa escolha lá atrás – não podemos nos esquecer. Além disso, vale lembrarmos que muitas famílias, com seus próprios valores, convivem ali unidas, portanto muitas liberdade individuais e de escolha estão envolvidas nas decisões. Bom, o que quero dizer com isso? A velha e já conhecida frase que diz que minha liberdade acaba quando a do próximo começa. Ou seja: se todos quiserem decidir individualmente sobre o lanche de seus filhos, e muitas outras questões dentro das escolas, será difícil pensarmos na noção de comunidade escolar, onde todos estão envolvidos democraticamente nas escolhas. De fato, a decisão sobre alimentação é algo bastante importante de ser discutido no coletivo das escolas porque envolve hábitos individuais/familiares de alimentação, mas também esbarra em questões sérias até de saúde pública – dado o aumento espantoso nos índices de sobrepeso e obesidade infantil. Então, quando decido enviar bolachas recheadas para meu filho ao invés de frutas, devo pensar também no seu colega de turma. Qual seria a solução nesse caso?

Para ilustrar que há saídas criativas, acho pertinente o exemplo de uma escola particular de educação infantil, em Diadema, que fez um lindo projeto sobre lanche e lixo. A ideia inicial era redução do lixo (resultado de lanches industrializados trazidos de casa pela maioria) e conscientização sobre a importância de uma alimentação mais saudável nas famílias. Primeiro, o grande desafio era fazer com que as crianças entendessem que seu consumo individual tem impactos no coletivo, além de mostrar a algumas crianças que sua fruta era tão gostosa quanto a bolacha recheada do coleguinha. Dessa forma foi pedido que as crianças armazenassem as embalagens trazidas no lanche, depois de lavá-las, claro, dentro de um canto escolhido por elas na sala de aula. Depois de uma semana o canto estava cheio de lixo, e isso diminuía o espaço de brincar – fato que motivou as crianças a buscarem uma solução coletiva para o problema.

Com essa experiência, os pequenos começaram a se dar conta de que o consumo de alimentos industrializados gerava muito lixo, além de ser mais caro e menos saudável. O papel da escola foi, portanto suscitar a reflexão de como esse problema poderia ser resolvido coletivamente. A resposta encontrada pelas famílias, junto com a escola, em diálogo constante com as crianças foi: “A solução será trazer lanches mais sustentáveis e saudáveis feitos em casa”. Nesse contexto se desenrolaram algumas atividades que envolviam todas as famílias, como por exemplo: roda de troca de receitas entre mães e organização semanal de lanches coletivos. Essas atividades geraram uma conscientização sobre a necessidade de mudança dos lanches trazidos de casa sem nenhuma imposição ou constrangimento. Pois bem… O longo exemplo foi somente para ilustrar que há saídas diferentes da imposição/proibição, mas essas dependem de mobilização e envolvimento de toda comunidade escolar.

De fato, quando se vive em sociedade, algumas regras se fazem necessárias para o bem estar coletivo. Por isso acredito que a escola pode e deve intervir em algumas questões, como nos exemplos explicitados aqui. Regras e combinados não servem somente para cercear a liberdade de escolha, mas sim para melhor organização social. E, nos dias de hoje, o que temos é a falsa ideia de liberdade escolha, pois o mercado talvez seja aquele que mais nos impõe regras e valores, mascaradas de opções. O mercado, através da publicidade, determina como devemos nos comportar para sermos aceitos socialmente. De toda forma, desde o início, falei que a solução no caso das escolas particulares poderia ser mais simples. Já quando nos deparamos com a realidade das escolas públicas a questão se complica, porque muitas vezes os pais não têm nem a liberdade de escolha das escolas, então cabe ao Estado não só garantir como implementar caminhos, através de políticas públicas, para honrar a infância.

fonte: educacao.alana.org.br

quinta-feira, 28 de março de 2013

Afinal, para que serve um tablet?


Esta semana, a consultoria IDC divulgou uma pesquisa com dados animadores sobre o consumo de tablets no Brasil. Em 2012, foram vendidos 3,2 milhões de tablets – praticamente o triplo do que foi vendido em 2011. Do total, mais de 80% são para uso doméstico e 77% usam o sistema Android. Um dos fatores que impulsionou as compras, segundo a consultoria, foi o preço: uma boa gama de tablets com preço médio de R$500 surgiu no mercado brasileiro. E a expectativa para 2013 é de que sejam vendidos quase 6 milhões de aparelhos.

Mas, afinal, para que serve um tablet? Quais as vantagens de se ter um aparelho como esse? Aí vai a nossa lista de pontos importantes para você avaliar o investimento:
Mobilidade: um tablet é menor e mais leve que um computador. Você pode levá-lo a qualquer lugar em uma mochila pequena, ou até mesmo na bolsa.
Conectividade: com um pacote 3G ou uma rede wi-fi é simples permanecer conectado a todo momento.
Armazenamento de informações: para você, professor, que estuda muito, nada melhor do que guardar muitas informações (livros, textos, materiais de planejamento etc.) em pouco espaço. Economiza papel e ainda tem tudo à mão.
Leitura de revistas, livros, arquivos: tudo fica em um só lugar e as grandes editoras já tem produzido materiais específicos para o tablet (nós, aqui em Nova Escola, acabamos de lançar nossa primeira edição, que você baixa gratuitamente no site do IBA, a loja virtual da Abril.   clique  aqui
Acesso rápido a e-mails, redes sociais e afins.
Uma lista infindável de aplicativos para todos os gostos e funções (que ajudam nos momentos de estudo, que servem para organizar as finanças, para ler, escrever, desenhar, divertir-se, comprar etc.)
Nova forma de ler: a experiência de leitura em um tablet é completamente diferente da leitura de um impresso ou da leitura no computador. Além de ter acesso a links (como no hipertexto, típico da internet), você pode assistir a vídeos, visualizar outros tipos de conteúdos multimídia – como jogos, galerias de fotos ou testes –, e interferir no texto (salvando uma página, fotografando, sublinhando conteúdos importantes etc.).
Lazer, claro! Há games e mais games irresistíveis para o tablet.

E você? Já tem um? Que usos faz do seu aparelho?

fonte: revistaescola.com