segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Conheça a origem das cores da bandeira do Brasil





O verde e o amarelo entraram na nossa bandeira em 1822, num trabalho do francês Jean-Baptiste Debret. O verde representava a Casa Real Portuguesa de Bragança e o amarelo, a Casa Imperial Austríaca de Habsburgo. O losango foi uma homenagem de Dom Pedro I a Napoleão. Após a Proclamação da República, o Brasil adotou uma bandeira que copiava a americana, mas ela só durou quatro dias. A atual bandeira nacional foi projetada em 1889 por Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos, com desenho de Décio Vilares. No lugar da coroa imperial, eles colocaram a esfera azul-celeste e a frase positivista "Ordem e Progresso", escrita em verde.

As 27 estrelas que aparecem na bandeira representam os Estados brasileiros e o Distrito Federal. Elas estão dispostas da mesma maneira em que apareciam no céu do Rio de Janeiro (RJ) às 9 horas e 22 minutos da manhã de 15 de novembro de 1889 (hora, dia e local da proclamação da República). A estrela que está acima da faixa Ordem e Progresso simboliza o Estado do Pará.

Comemora-se o Dia da Bandeira em 19 de novembro, data em que ela foi adotada no ano de 1889. Nesse dia, o hasteamento é realizado às 12 horas, em solenidades especiais.

A bandeira em mau estado deve ser entregue a uma unidade militar para ser incinerada no Dia da Bandeira.

Como símbolo da pátria, a Bandeira Nacional fica permanentemente hasteada na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Ao ser substituída, o novo exemplar deve ser hasteado antes que a bandeira antiga seja arriada.

Todos os dias, a bandeira precisa ser hasteada no palácio da Presidência da República e na residência do presidente; nos ministérios; no Congresso Nacional; no Supremo Tribunal Federal; nos tribunais superiores e federais; nos edifícios-sede dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário; nas missões diplomáticas, em delegações com organismos internacionais e repartições consulares; em repartições federais, estaduais e municipais situadas na faixa da fronteira; e em unidades da Marinha Mercante. O hasteamento e o arriamento podem ser feitos a qualquer hora do dia ou da noite, mas, tradicionalmente, a bandeira é hasteada às 8 horas e arriada às 18 horas. Quando permanece exposta durante a noite, ela deve ser iluminada.

Nenhuma bandeira de outra nação pode ser hasteada no país sem que haja ao seu lado direito, de igual tamanho e em posição de destaque, a Bandeira Nacional. A exceção são as embaixadas e os consulados.

A maior bandeira nacional do Brasil está em São Vicente (SP). Ela possui 630 metros quadrados de área (o mesmo que uam quadra de futebol de salão) e pesa 110 quilos

fonte http://guiadoscuriosos.ig.com.br


Hino da Bandeira


Salve lindo pendão da esperança
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil.

Recebe o afeto que se encerra...
Sobre a imensa nação brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da justiça e do amor!
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil.

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.
Recebe o afeto que se encerra ...
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser.

Link abaixo para baixar MP3 de vários hinos. Bandeira, Nacional, Independência, programação da República e muitos outros.

fonte: http://ultradownloads.com.br/download/Hino-da-Bandeira/

sábado, 22 de agosto de 2009

Folclore é mais do que se imagina


Em geral tratado de forma preconceituosa ou limitada, o folclore é uma área de saberes e expressões que merece muito mais reflexão na hora de ser abordado na escola
Remover formatação da seleção

Thais Gurgel (thais.gurgel@abril.com.br), colaborou Paula Monteiro

No calendário, o folclore tem data marcada para ser lembrado: dia 22 de agosto. E na vida das pessoas, quando ele acontece? Ter clareza sobre essa questão é o primeiro passo para trabalhar na escola as manifestações e a importância da cultura popular tradicional. Por isso, preparamos este conteúdo especial, dividido em três partes: uma entrevista com o educador popular Tião Rocha, do Centro Popular de Desenvolvimento e Cultura, uma pequena antologia de clichês sobre o tema, acompanhada da devida desconstrução de cada um deles e um quiz para estimular a reflexão sobre o folclore.

Não raro, o folclore costuma resumir-se nas salas e pátios escolares à comemoração de seu dia, quando são relembradas lendas como a da Iara, do Saci Pererê, do Curupira, entre outras. Como geralmente não se articulam em projetos ou sequências didáticas nem fazem parte do dia-a-dia da instituição, a percepção das crianças em relação ao que é, de fato, a cultura popular tradicional fica muito aquém do que essa área de saberes e expressões tem a oferecer. E, para piorar, o mais comum é que suas manifestações acabam sendo tratadas na escola de maneira preconceituosa – como algo inferior em termos de conhecimento.

O folclore diz respeito à vida de cada um de nós, já que pertencemos a grupos sociais que levam adiante costumes, saberes e valores. Da mais simples receita culinária ao mais complexo ritual de casamento, tudo é compartilhado por um grupo e levado adiante com o passar do tempo e das gerações. Isso acontece somente por uma razão: essas tradições continuam a fazer sentido, inclusive para os mais jovens.

Cliches

Não é bem assim

Por sua natureza de difícil delimitação, o folclore é um campo fértil para a formação de clichês. De tanto ser repetidas, algumas ideias sobre o assunto acabam entendidas como verdades. Selecionamos algumas delas e, revendo conceitos, procuramos quebrá-las. Para tal, contamos com a assessoria de Alberto Ikeda, professor de cultura popular e etnomusicologia da UNESP.

Folclore são apenas mitos e histórias

O folclore – ou cultura popular tradicional – vai muito além disso. São saberes que alcançam todas as expressões, conhecimentos e costumes dos grupos humanos, desde que tenham algumas características. Eles devem: 1) ser de domínio e prática coletiva, 2) transmitir-se no convívio social geralmente por meios não-formais de ensino e aprendizagem (eventualmente transformando-se nesse processo), 3) ter presença ao longo de um período histórico e chegar aos dias atuais. Algumas práticas podem ser restritas a um âmbito local ou regional, mas outras podem ser quase universais, difundindo-se por um amplo território ou aparecendo concomitantemente em mais de uma localidade. A cerâmica, por exemplo – que é o uso do barro para o artesanato utilitário – aparece em um número enorme de grupos sociais. Nas diferentes comunidades, há particularidades na técnica de manuseio do barro e na sua transformação em cerâmica, mas, de maneira geral, o processo é semelhante.

O folclore só exíste em comunidades rurais

As comunidades rurais geralmente têm expressões do folclore muito presentes em sua vida cotidiana. Mas isso não significa que as urbanas vivam apartadas das culturas populares tradicionais. Além do repertório das regiões interioranas ter chegado à cidade com o êxodo rural – e ali, muitas vezes, ter se modificado –, diversas manifestações surgem no próprio contexto urbano, como brincadeiras (de elástico, por exemplo), lendas (quem não conhece a da loira do banheiro?) e procedimentos de comunicação (como escrever em banheiros públicos, um costume encontrado até na Roma Antiga).

Para que alguma manisfestação cultura seja considerada folclore, não se pode atribuir uma autoria pessoal a ela

Nem todas as expressões folclóricas têm autoria desconhecida. Como a maioria delas tem origem remota, é comum que a identidade do autor se perca ao longo do tempo. Mas nada impede que a obra de um artista conhecido, por exemplo, que alcance domínio público em uma comunidade e tenha usos sociais nesse contexto – virando uma tradição para muita gente – seja considerada folclore. Com o passar dos anos, a comunidade pode continuar sabendo que determinada obra foi criação desse artista ou a informação pode se perder. O que importa é que as pessoas a entendam como algo que faz parte da sua vida e de seu grupo social. A prática dos figureiros de Caruaru, por exemplo, que fazem seus bonecos à maneira de Mestre Vitalino, criador de um estilo característico, podem se enquadrar como expressões do folclore.

Como o folclore é transmitido pela cultura oral, nada seja escrito faz parte dele

Há poucas décadas no Brasil, a leitura e a escrita ainda eram restritas às elites. Assim, as tradições da zona rural, que concentrava a maior parte da população, eram transmitidas oralmente. Isso não quer dizer que o registro e a difusão por meio da escrita – assim como as expressões próprias da cultura letrada – não possam ser considerados folclore. A literatura de cordel, que tem histórias e versos conhecidos pela gente, é um exemplo disso, assim como as frases de para-choque de caminhão, as formulações para não se vender fiado e os epitáfios nos túmulos.

O folclore só se constrói em contextos sociais de pouca escolaridade

Qualquer pessoa, por mais escolarizada que seja, traz um legado de saberes e costumes oriundos de tradições de seu contexto familiar e social. O que geralmente ocorre é que esses saberes tradicionais pautam mais a vida de pessoas de baixa escolaridade do que aquelas que têm acesso a informações científicas e a uma pluralidade de “modos de fazer”. O principal aspecto relativo a este ponto é não opor os saberes tradicionais à ciência em um sentido de comparação, pois eles são de ordens e usos distintos, e dependem sempre das crenças pessoais e culturais de cada indivíduo. Remédios caseiros, como chás para tosse ou de camomila para acalmar, por exemplo, têm suas receitas levadas adiante na tradição e são utilizadas até hoje por pessoas das mais variadas escolaridades.

As manifestações folclóricas são ficas e não se modificam nunca

Embora os saberes ditos folclóricos tendam a se preservar por um longo tempo, as transformações são inerentes a qualquer manifestação humana. Como o folclore é apropriado pela gente e transmitido em seus contextos de uso social, é natural que se adapte e se modifique com o passar do tempo. Com as migrações, o aumento da velocidade e intensidade de troca de informações, as novas tecnologias, os modos de vida mudaram. Nesse processo, as expressões tradicionais só sobrevivem se continuarem a fazer sentido para as pessoas. A dança da quadrilha caipira, por exemplo, já sofreu muitas modificações em sua coreografia desde o século 19. Da mesma forma, seus comandos mudaram: antigamente o “para a frente”, se dizia “anavam”, o “para trás”, “anarriê” e o “gire” era “tur”. Isso porque eles se referiam aos termos em francês que os originaram (“en avant”, “en arrière” e “tour”). A maioria das pessoas sequer sabia de onde eles vinham e, ao longo dos anos, os temos em português tomaram o lugar dos “neologismos” na dança.
Quiz

Na escola, só é possível trabalhar com folclore no mês de agosto ou em datas de festas populares

A cultura popular deve ser reconhecida pela escola, trazida para as discussões em sala de aula e considerada em práticas como a merenda e as reuniões de pais. As mais diversas expressões folclóricas se manifestam no ambiente escolar, mas passam despercebidas ou são até mesmo desaprovadas nesse contexto. Brincadeiras (amarelinha, brincadeira de taco, pega-pega, etc.), hábitos de alimentação (comer manga com feijão, farinha em todas as refeições, misturas de diferentes tipos de ingredientes em um só prato) e datas comemorativas (como o dia de São Cosme e São Damião): tudo isso está presente na vida das crianças e é, direta ou indiretamente, incorporado ao ambiente escolar. Considerar os saberes que as crianças trazem de seus contextos culturais pode levantar diversos elementos do folclore. Um aspecto importante é valorizar esse conjunto de expressões e saberes, e não tratá-los como “crendices” a serem abandonadas. Além disso, a escola pode propor projetos voltados para o estudo de diferentes aspectos das culturas populares. Quando se pensa nisso como algo presente na vida de todos nós, não se corre o risco de tratar outros costumes e expressões culturais como algo exótico e distanciado da realidade.

O folclore deve ser trabahado apenas nas aulas de arte

Outra ideia equivocada sobre folclore é que ele se limita a expressões artísticas e que, com isso, a disciplina de Arte seria a única em que faria sentido abordá-lo. As culturas populares dizem respeito aos mais diversos aspectos da vida de um grupo social – entre eles, suas expressões artísticas. Mas muito se relaciona a cuidados com o corpo (com remédios caseiros e precauções para não adoecer), uso da língua (ditados e parlendas), técnicas de preparação de alimentos (receitas e ocasiões em que se come um determinado prato, como milho assado e canjica nas festas juninas), brincadeiras de movimento (como rodas e jogos de adivinhar), e muitos outros elementos da vida – temas que interessam outras áreas do conhecimento que não apenas as artes. Além disso, o enquadramento do folclore apenas às aulas de Arte pode se relacionar com a desvalorização tanto das culturas populares tradicionais quanto da disciplina. Vista por muitos como uma “aula de recreação”, em que não são trabalhados conhecimentos, ela seria o espaço perfeito para tratar o folclore, que também não se relaciona com um trabalho intelectual. Preconceito em dobro a ser quebrado.

O folclore não faz parte do universo cultural dos alunos

Da forma como o folclore é muitas vezes tratado hoje nas escolas – limitado à menção de personagens como Saci Pererê ou Curupira – talvez não se relacione ao universo cultural dos alunos. Mas, como já citado, o folclore faz parte da vida de qualquer pessoa, nem é preciso dizer que se interessar por ele é uma forma de conhecer melhor as crianças, seus familiares e a comunidade.

fonte:http://revistaescola.abril.com.br

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O que define um dia letivo?

É aquele previsto para a aula. Pela LDB, as escolas devem cumprir pelo menos 200 dias letivos anuais.

Renata Costa (novaescola@atleitor.com.br)
Um dia letivo na EE Nelson Fernandes. Foto: Marcos Rosa
Um dia letivo na EE Nelson Fernandes.
Foto: Marcos Rosa
Um dia letivo é aquele programado para aula, não importa a quantidade de alunos presentes. Ainda que haja um número reduzido de estudantes, ou apenas um, em sala de aula, o professor deve dar o conteúdo previsto e as pessoas ausentes levam falta. "A turma presente tem direito à atividade agendada”, afirma Maria Eveline, coordenadora geral de Ensino Médio da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que regulamenta a Educação no Brasil, as escolas devem cumprir pelo menos 200 dias letivos anuais, distribuídos em dois semestres. Totalizando, no mínimo, 800 horas, ou seja, 48.000 minutos (800 horas x 60 minutos). Escolas que consideram nessa conta a hora-aula, que normalmente é de 45 minutos, descumprem a lei. Os pais precisam, portanto, ficar atentos para garantir o direito dos filhos.

Nos 48.000 minutos não estão inclusos os exames de final de ano, intervalos e nem os recreios, que são contabilizados à parte. Reuniões de planejamento e outras atividades dos professores sem a presença dos alunos também não fazem parte dos 200 dias letivos.
Se por algum motivo não houver aula, a escola precisa repor o período suspenso pelo menos até atingir os 200 dias mínimos estabelecidos por lei. “Em casos emergenciais, a obrigatoriedade dos 200 dias pode ser anulada, caso a Secretaria Estadual de Educação assim determine”, afirma Luiz Gonzaga Pinto, presidente do Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo.
Luiz explica que isso pode acontecer porque a LDB prevê adaptações do calendário escolar de acordo com peculiaridades locais ou até climáticas. Ou seja, em caso de catástrofes naturais ou epidemias infectocontagiosas como a de gripe A (conhecida como gripe suína), os 200 dias podem não ser cumpridos.
Por causa dessa flexibilidade na lei, o Conselho Estadual de Educação de São Paulo publicou um despacho no Diário Oficial, no dia 8 de agosto, passando às escolas públicas e privadas a decisão de repor ou não as aulas adiadas por causa da epidemia de gripe A. No entanto, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, à qual o Conselho é vinculado, revogou a resolução e determinou que todas as escolas adequem seu calendário para cumprir a LDB. “As aulas podem ser repostas em períodos livres do dia, aos sábados ou mesmo encurtar as próximas férias”, explica Luiz Gonzaga Pinto.
O importante, segundo Maria Eveline, é que a escola dê conta de ensinar todo o conteúdo programado aos alunos nesses 200 dias. “A instituição deve cumprir seu planejamento. Os pais e alunos, assim como as entidades que os representam, têm o direito de acompanhar e de serem informados sobre a forma como a escola fará as reposições”.
A mesma regra vale, em tese, para a Educação Infantil, já que também tem programa de conteúdo mínimo a cumprir. “Ela é considerada a primeira etapa da Educação Básica, portanto tem de se pautar pelas mesmas orientações que os demais níveis”, afirma Luiz Gonzaga. Como, porém, a educação só é obrigatória a partir dos seis anos de idade, a decisão de repor aula para as crianças abaixo dessa faixa etária cabe à escola em conjunto com os pais.

fonte: http://revistaescola.abril.com.br

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Na volta às aulas, converse com os alunos sobre prevenção

Saiba quais são as medidas preventivas para evitar a gripe suína e outras doenças contagiosas na escola.

Patrícia Giuffrida



Na volta às aulas, que medidas devem ser tomadas para evitar o contágio da gripe A (conhecida como gripe suína) na escola? Segundo o médico infectologista Artur Timerman, o primeiro passo é conversar com os alunos sobre o assunto, ensinando-os alguns cuidados básicos de higiene. "Assim que a criança chegar à escola, ela deverá lavar bem as mãos com água e sabão ou limpá-las com álcool em gel".

Outra medida para evitar o contágio é não tocar os olhos, a boca e o nariz após contato com superfícies, como corrimão de escadas e carteiras. Mais um alerta: não compartilhar objetos de uso pessoal, nem talheres, alimentos e bebidas. E, por fim, ao tossir ou espirrar, não se esquecer de cobrir a boca e o nariz com lenço de papel descartável.

Como medida geral, o especialista sugere que as salas de aula sejam mantidas com portas e janelas abertas como forma de garantir a circulação de ar, assim será mais difícil o contágio.

Artur Timerman ressalta também a importância em cuidar da saúde para manter a imunidade alta: “Todos deverão se hidratar com frequência, ter hábitos alimentares saudáveis e praticar atividades físicas ao ar livre”.

Para saber mais sobre a gripe e outras doenças transmissíveis, leia as reportagens e os planos de aula publicados em NOVA ESCOLA:

REPORTAGENS

O álcool em gel é mais eficaz do que lavar as mãos com água e sabão?
Ambos são seguros na prevenção de doenças contagiosas, mas são necessárias algumas recomendações para quem optar pelo álcool em gel.

Qual é a diferença entre vírus e bactéria?
Eles diferem em suas estruturas, modos de vida e tamanho. Veja mais detalhes aqui.

As piores epidemias da história
A peste negra matou um terço da população européia no século 14. Outra que está no ranking das mais mortais é a gripe espanhola, que surgiu em 1918. Conheça outras.

Quais são os vírus que mais matam no mundo atualmente?

Apesar de ser difícil contabilizar as mortes causadas por vírus, o HIV (Aids), o HCV (hepatite C), o flavivírus da dengue e a influenza podem ser considerados os que mais matam.

Como funcionam as vacinas e como são produzidas?

Todas têm a mesma função, mas a produção das vacinas difere dependendo da forma como o agente causador da doença atua no corpo.

Como ensinar microbiologia, com ou sem laboratório
Os alunos vão aprender que micro-organismos invisíveis, como bactérias e fungos, causam doenças ou ajudam a ter saúde.

PLANOS DE AULA

A gripe suína e outras enfermidades
Projeto didático para turmas de 5º e 6º anos sobre a influenza A e outras doenças transmissíveis. O objetivo é mostrar aos alunos algumas formas de propagação de doenças e discutir atitudes para prevenção de uma epidemia.

Gripe suína: uma epidemia
Plano de aula para alunos do 8º ano sobre a gripe A. O objetivo é mostrar como atitudes individuais afetam a saúde coletiva.

Como se dá a propagação de doenças?
Um plano de aula para debater com estudantes do Ensino Médio sobre os riscos de pandemias

Cultura de bactérias
Uma atividade permanente voltada para alunos do 7º, 8º e 9º anos, com o objetivo de avaliar os benefícios e os prejuízos que as bactérias podem trazer para os seres humanos e o meio ambiente.

fonte: http://revistaescola.abril.com.br

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Hannah Arendt - A voz de apoio à autoridade do professor

Para a cientista política, os adultos devem assumir a responsabilidade de conduzir as crianças por caminhos que elas desconhecem

Márcio Ferrari (novaescola@atleitor.com.br)

Fotos: Corbis /Stock Phot
Fotos: Corbis /Stock Phot

Hannah Arendt (1906-1975) foi uma das principais pensadoras da política no século 20, mas sua obra inspira estudos em outras áreas, entre elas a educação. Poucos intelectuais atuaram tão diretamente em seu tempo como Arendt, que foi vítima, ainda jovem, da perseguição nazista em sua Alemanha natal.

Como uma filósofa (designação que a desagradava) interessada em particular no fenômeno do pensamento e no modo como ele opera em "tempos sombrios", Arendt não poderia deixar de se ocupar do ensino. A pensadora abordou o assunto em dois textos, A Crise na Educação (incluído no livro Entre o Passado e o Futuro) e, mais indiretamente, Reflexões sobre Little Rock, escritos em 1958 e 1959 respectivamente. Na época, as salas de aula nos Estados Unidos – para onde se mudou em 1940 – se viam invadidas por questões sociais como a violência, o conflito de gerações e o racismo.

É no primeiro dos dois textos que Arendt apresenta, com a habitual veemência e coragem, uma visão bastante crítica do tipo de educação considerada "moderna", naquela época e também hoje. Em poucas páginas, ela questiona em profundidade alguns dos conceitos pedagógicos mais difundidos desde fins do século 19, e que se originam do movimento da Escola Nova e da concepção do trabalho educativo como um aprendizado "para a vida".

"A função da escola é ensinar às crianças como o mundo é, e não instruí-las na arte de viver", escreve Arendt. Sua argumentação é a favor da autoridade na sala de aula e sua visão educativa é assumidamente conservadora. "Isso não quer dizer que ela defenda um professor autoritário", diz Maria de Fátima Simões Francisco, professora de filosofia da educação da Universidade de São Paulo. Nem se trata de ser favorável à escola como um agente da manutenção da ordem estabelecida. Ao contrário, Arendt acreditava que o aluno deve ser apresentado ao mundo e estimulado a mudá-lo.

Educação sem política

Tensão racial em Little Rock, EUA, nos anos 1950: crise inspira reflexão
Tensão racial em Little Rock, EUA, nos anos
1950: crise inspira reflexão

Arendt defendia o conservadorismo na educação, mas não na política. Para ela, o campo político deveria se renovar constantemente, movido pelos objetivos da igualdade e da liberdade civil. Ao reivindicar a total separação entre política e educação, Arendt rejeita linhas de pensamento que partem de filósofos como Platão (427-347 a.C.) e Jean-Jacques Rousseau (1712-1778).

Segundo a pensadora, a política é uma área que pertence apenas aos adultos, agindo como iguais – igualdade que não poderia existir entre crianças e adultos. Ela critica a educação moderna por ter posto em prática "o absurdo tratamento das crianças como uma minoria oprimida carente de libertação". "Hannah Arendt defende que cabe aos adultos conduzir as crianças", diz Maria de Fátima Simões Francisco.

O papel da tradição

Dessas considerações nasce a defesa da autoridade, uma vez que a escola deverá trazer instrução, isto é, conhecimentos que o aluno não tem. Esse processo não é apenas de aprendizado, mas de preservação do mundo, entendido como a cultura em sua totalidade. Numa formulação ousada, a pensadora defende que é preciso proteger "a criança do mundo e o mundo da criança" – uma vez que o "assédio do novo" é potencialmente destrutivo.

A preocupação com a perda da "tradição", definida como "o fio que nos guia com segurança através dos vastos domínios do passado", foi o que levou Arendt a escrever sobre educação. A relação entre crianças e adultos não pode, segundo ela, ficar restrita "à ciência específica da pedagogia", já que se trata de preservar o patrimônio global da humanidade. "Está presente a idéia de que o planeta não pertence só a nós que vivemos nele agora, mas a todos que já estiveram aqui", diz Maria de Fátima.

"A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele", escreve Arendt, acrescentando que "a educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos".

O mal da irreflexão

A obra mais difundida de Hannah Arendt origina-se de uma reportagem que lhe foi encomendada pela revista New Yorker. No ano de 1961, ela foi enviada a Israel para cobrir o julgamento do alto burocrata nazista Adolf Eichmann. No livro Eichmann em Jerusalém, a pensadora cunhou a expressão que a celebrizou: "a banalidade do mal", em referência aos códigos aparentemente lógicos e até sensatos com que o totalitarismo se propaga e ganha poder.

Durante o julgamento, chamou a atenção da pensadora a figura prosaica do réu. Em Eichmann, um homem de aparência equilibrada e comum, Arendt identificou alguém habituado a não pensar. Os perigos da irreflexão, como sinal de alienação da realidade, constituem um dos principais eixos de uma obra que pode trazer contribuições para a educação em muitos aspectos.

No artigo A Crise na Educação, Arendt dá ênfase ao conceito de responsabilidade dos adultos tanto em relação ao mundo como às crianças. "Formar para o mundo significa, entre outras coisas, adquirir a noção do coletivo", diz a educadora Maria de Fátima Simões Francisco. É um processo que só se realiza, em cada aluno, com a intervenção do pensamento para a criação de uma ética perante o grupo.

Para pensar

Hannah Arendt defendia que os adultos têm dois tipos de obrigação em relação às crianças. Uma recai sobre a família, responsável pelo "bem-estar vital" de seus filhos. Outra fica a cargo da escola, a quem cabe o "livre desenvolvimento de qualidades e talentos pessoais". Ela acusa a educação praticada nos Estados Unidos à época da publicação do artigo de abrir mão de sua função ao rejeitar a autoridade que decorre dela. "Qualquer pessoa que se recuse a assumir a responsabilidade coletiva pelo mundo não deveria ter crianças e é preciso proibi-la de tomar parte na educação", escreve Arendt. Você, professor, concorda com ela? Qual é, a seu ver, a principal responsabilidade de sua profissão?

Uma testemunha do terror de Estado

O julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém: banalidade do mal
O julgamento de Adolf Eichmann em
Jerusalém: banalidade do mal

No início de sua vida acadêmica, mal saída da adolescência, Hannah Arendt era uma apaixonada pela filosofia de Immanuel Kant (1724-1804), filho mais célebre da cidade em que foi criada, Königsberg (hoje Kaliningrado, na Rússia). Ela mesma admitia que foram os acontecimentos – a começar pela perseguição nazista à sua família – que a fizeram migrar da filosofia mais abstrata para a ciência política e a refletir sobre as questões urgentes de seu tempo. Em As Origens do Totalitarismo, ela analisa e descreve o regime típico do século 20, representado pelo nazismo e pelo stalinismo, dois sistemas de princípios opostos e estratégias muito semelhantes, como o terror, o papel marcante da ideologia e o uso de polícias secretas. Toda sua obra dialogou com os dilemas morais e políticos mais graves do século 20, com ênfase nas possibilidades do indivíduo diante do poder.

Biografia

Hannah Arendt nasceu em 1906, em Hannover, na Alemanha, de uma família judia. Cedo ela direcionou seus estudos para a filosofia, passando a se dedicar à ciência política. Na Universidade de Marburg, foi aluna do filósofo Martin Heidegger (1889-1976), com quem manteve uma ligação amorosa que se estendeu por 50 anos – período durante o qual ela foi casada duas vezes e ele uma. O nazismo levou Arendt a emigrar, em 1933, para Paris, de onde teve novamente de fugir em 1940, indo para Nova York. Naturalizou-se norte-americana em 1951, ano em que publicou seu primeiro livro, As Origens do Totalitarismo. Ao adotar uma perspectiva liberal, que não se alinhava com os extremos ideológicos, Arendt construiu um pensamento independente e crítico, até mesmo, às vezes, em relação a grupos com os quais compartilhava idéias, como os sionistas e a esquerda nãomarxista. Morreu em 1975 em Nova York, onde era professora universitária.

Quer saber mais?

Entre o Passado e o Futuro, Hannah Arendt, 352 págs., Ed. Perspectiva, tel. (11) 3885-8388, 34 reais
Maria de Fátima Simões Francisco

fonte: http://revistaescola.abril.com.br